28 de mai de 2008

PAISAGENS SECRETAS: MEMÓRIAS DA INFÂNCIA

Paisagens Secretas: memórias da infância
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Margarida de Souza Neves
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“Tudo no mundo é duplo: visível e invisível
O visível, de resto, interessa sempre muito menos.”
Cecília Meireles: Olhinhos de Gato
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Fragmentos de uma infância contada
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Nas bibliotecas de centenas de escolas brasileiras, assim como nas Bibliotecas Públicas de todo o país, as crianças leitoras encontram, desde sua primeira edição em 1980, o livro Olhinhos de Gato (MEIRELES: 1980.). A autora, Cecília Meireles, alguns já conhecem das antologias lidas em sala de aula. Certamente para um grupo desses leitores infantis, o nome de Cecília está associado à descoberta da poesia, uma vez que para não poucas crianças foi nas páginas de Ou isto ou aquilo (MEIRELES: 1977. ) que a magia da palavra poética se revelou.Caso os pequenos leitores tenham entre mãos a primeira edição de Olhinhos de Gato, com linda capa da Maria Cristina Simi Carletti em que uma menina aparece no limiar entre a intimidade do universo doméstico, representado pelas flores de um papel de parede antigo, e o arco-íris de cores do mundo exterior, aprenderão, na contracapa do livro, que as páginas que escolheram para ler possuem o dom de fazê-las voar “com Olhinhos de Gato numa viagem de emoções sentidas no fundo do coração” por “um mundo de sonhos, medos, alegrias, dores e fantasias... A Infância” (MEIRELES: 1980).É discreto o para-texto dessa primeira edição em livro das memórias infantis de Cecília: os treze capítulos são apenas numerados e, além da contra-capa em queos editores resumem o livro como uma viagem onírica, somente uma breve Nota do Editor esclarece que os textos que compõem o livro foram publicados anteriormente, ao longo de dois anos, numa revista portuguesa; que os personagens ocultos sob curiosos pseudônimos são reais e povoaram o universo infantil da autora; e que Cecília-menina aparece na narrativa sob a máscara da personagem título. Caso a criança escolha para ler uma das edições mais recentes do livro
[2], o para-texto é mais complexo. Na capa negra, uma montagem fotográfica um tanto assustadora mostra um rosto, metade menina, metade gato. Na contra-capa, é outro o resumo do livro apresentado:
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“uma narrativa intimista, com muita musicalidade e poesia. É a vida de Cecília Meireles, relatada como num diário de adolescente. Você conhecerá as alegrias, as tristezas e as experiências de uma pessoa que tão bem soube expressar um pouquinho de todos nós.” (MEIRELES: 1983).
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25 de mai de 2008

25 DE MAIO: DIA INTERNACIONAL DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES DESAPARECIDOS

Fotografia de Leonor Cordeiro

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(...) Mas por que desaparece tanta gente, todos os dias, em redor de nós, sem que possamos admitir que esses desaparecimentos sejam de origem lírica?
Ouço pelo rádio as famílias, os amigos, os conhecidos que indagam, inquietos, que reclamam, descrevem, dão sinais, indicam pistas. Há desaparecidos de todas as idades e cores, e ambos os sexos, das mais variadas condições sociais: quem tiver notícias de seu paradeiro é favor informar às pessoas aflitas que os procuram.
Mas quem vai saber o paradeiro da mocinha de blusa cor-de-rosa e saia amarela que, assim colorida, bateu asas sem se despedir dos parentes? Quem viu o menino de blusão verde e sapatos novos que saiu de casa pela tardinha e lá se foi andando – e irá andando enquanto tiver boas solas nos sapatos – por muito que os pais inconsoláveis o estejam chorando e os vizinhos não possam entender tamanha ingratidão? Que foi feito da velhinha, um pouco desmemoriada, que saiu para a missa e depois entrou por um caminho desconhecido, com seu vestido cinzento, sua bolsinha de verniz e duas travessas no cabelo?
Há os desaparecidos recentes: de ontem, da semana passada, de há um mês ou dois. Assim mesmo recentes não se encontram vestígios seus em parte alguma. Foram raptados? Ficaram debaixo do trem? Subiram para algum disco voador? Afogaram-se? Partiram para o secreto paraíso onde não querem ser importunados? Embarcaram para Citera? Quem sabe o que lhes aconteceu?
Mais comoventes, porém, é a busca de desaparecidos antigos: “procura-se uma conhecida que há três anos não se encontra...” Para onde foi a jovem Marília que há cinqüenta anos disse que ia trabalhar no Rio de Janeiro?... Que é feito do rapaz moreno, com um sinal no queixo, que usava um cordãozinho de outro com a imagem de São Jorge?
Todas essas pessoas e muitas outras estão sendo procuradas, pacientemente, com anúncios pelos jornais e nas emissoras. Uma incansável busca. Gente de todos os Estados do Brasil, gente com vários compromissos: eram noivos, eram chefes de família, eram donas-de-casa.. Gente miúda, que não se esperava desse capaz de meter-se em aventuras: meninotas e rapazinhos em idade escolar; mocinhas que pareciam tímidas e assustadas, moços ainda sem emprego...
(...) Mas os afetos vigilantes continuam, inconformados, a recordar os ausentes – todos os dias novos, todos os dias mais numerosos – e, por humildes lugares, famílias tristes cultivam longos canteiros de saudades.
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Trechos da crônica - GENTE DESAPARECIDA

(Cecília Meireles. Escolha o Seu Sonho - Editora Record, p.43-45 )

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Você sabia que o Brasil registra mais ou menos 40 mil desaparecimentos de crianças e adolescentes por ano?
Você sabia que aqui não existe uma rede ou cadastro nacional para registrar informações dos desaparecidos?
Você sabia que não há comunicação entre a polícia militar, civis e federal, em relação ao desaparecimento de uma criança?
Precisamos criar no Brasil o ALERTA AMBER .
Esse vídeo vai explicar para você o que é o ALERTA AMBER:
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Você pode participar do MOVIMENTO PELA CRIAÇÃO DO ALERTA AMBER NO BRASIL assinando a petição que será encaminhada à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal . CLIQUE AQUI PARA ASSINAR !

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