06/11/2012

Cecília Meireles cronista-viajante: um olhar lírico sobre Portugal



Por Karla Renata Mendes

Resumo: Cecília Meireles é reconhecida por sua obra poética, sendo destacada como um dos principais nomes da poesia brasileira. Todavia, a autora possui também uma vasta produção em prosa,composta por uma variedade de crônicas, ensaios, artigos, conferências, entrevistas, ainda não totalmente conhecidas pelo público e pela crítica. O presente artigo se propõe a investigar uma das vertentes da crônica ceciliana – os relatos de viagem. Tratam-se de textos que revelam uma Cecília Meireles viajante pelos mais diferentes lugares do mundo, em contato com diferentes culturas, povos, experiências. Mas as crônicas de viagem da autora conseguem ir mais além da simples descrição de situações e revelam ao leitor um olhar mais lírico, subjetivo e reflexivo, apresentando-se ainda como uma maneira de meditar sobre a própria condição humana. Assim, procura-se evidenciar como se dá construção do relato de viagem ceciliano em uma crônica sobre Portugal, país com o qual a autora sempre manteve relações amistosas e que se destaca como o berço de sua ancestralidade.

Palavras-chave: Cecília Meireles. Crônica de viagem. Portugal.

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UniLetras Vol. 31, No 1 (2009)

05/11/2012

Uma viagem pelas crônicas


Em suas idas e vindas, Cecília Meireles publicou verdadeiras reflexões sobre como se pode conhecer novos lugares.
Celso Castro


Além de poetisa e jornalista, Cecília Meireles (1901-1964) foi uma escritora viajada. As crônicas sobre suas experiências no exterior e no Brasil, publicadas em jornais ao longo dos anos 1950, chegaram a ser editadas em três volumes. O tamanho da obra é compatível com a quantidade de lugares que ela visitou. Cecília passou por vários países europeus – Portugal, Espanha, Itália, França, Bélgica, Holanda, Grécia –, além de Estados Unidos, Uruguai, Argentina, Porto Rico, Peru, México, Israel, Índia e Goa, estado indiano que ainda era uma colônia portuguesa. No Brasil, a poetisa se aventurou principalmente por Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. Suas crônicas revelam o contexto histórico em que foram escritas: o mundo do pós-guerra, que vivia grandes transformações na experiência de se viajar. O turismo se populariza, os meios de transporte ganham velocidade, e o efeito mais imediato dessa aceleração é uma “diminuição” das distâncias geográficas. São essas profundas transformações na experiência da viagem que suas crônicas buscam compreender.

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30/04/2009

Poemas de Cecília ...

Patricia Rizzo interpreta poemas de Cecília Meirelles e o poeta Álvaro Alves de Faria comenta a vida da escritora

03/02/2009

Canção da Madrugada

Poema de David Mourão Ferreira para Cecília Meireles:
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Canção de Madrugada


à Cecília Meireles

Ecorrem de noite pelos prédios,

dissimuladas na umidade

— dissimulando elas o tédio

das longas noites da cidade —

deusas solícitas que vão,

com sua etérea assinatura,

quase propor a redenção,

— de rua em rua, dar a mão

a quem se arrasta e procura.



Pobre de quem vem perguntando

à pedra esquiva das esquinas

a voz e a face dessa amante

de que não restam senão cinzas!

Pobre do outro a quem o gelo

daquele encontro tão malsão

nem conseguiu arrefece-lo!

— Pobres de tantos, sem o selo

de garantia da ilusão!



Ó vidas presas por um fio,

junto ao abismo dos fracassos,

quem vos evita o fim sombrio

já desenhado em vossos passos?

— Com grandes túnicas violáceas,

as deusas erguem claras brisas:

nas avenidas e nas praças,

tremem as folhas das acácias,

vibram os peitos infelizes.



Até o frígido luar,

que de livor tingia as ruas,

se vai sumindo, devagar,

deixando as almas menos nuas...

Uma promessa de folhagem,

de vento e sol, as veste agora:

e, penetradas pela aragem,

as almas tímidas reagem

à madrugada que as enflora!



Súbito, a um gesto das deidades,

quebra-se o fúnebre luzeiro

das outras luas enforcadas

nos braços curvos dos candeeiros.

Já no crepúsculo se esfuma

a doentia sugestão,

— e as deusas tecem, com a bruma,

a nova luz que se avoluma

e é uma promessa ou uma canção.



Do sofrimento a noite cessa

na indecisa madrugada:

que ninguém peça a uma promessa

mais que a promessa que foi dada!

A quem sofreu, basta que a vida

levante um sol de entre as ruínas:

uma promessa doutra vida...

— Quanto aprendi!, nesta comprida

noite que tu, Canção, terminas.


David Mourão Ferreira