11 de dez de 2007

O BRASIL E A SUA EDUCAÇÃO: AS CONFERÊNCIAS DE CECÍLIA MEIRELES EM PORTUGAL

O BRASIL E A SUA EDUCAÇÃO:
AS CONFERÊNCIAS DE CECÍLIA MEIRELES EM PORTUGAL
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Jussara Santos Pimenta
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RESUMO:
A poeta, jornalista e educadora Cecília Meireles foi uma personagem atuante nos círculos
literários e no cenário educacional dos anos 1930. A extensa rede de relações que estabeleceu
com intelectuais brasileiros e estrangeiros esteve, sobretudo, ligada à sua atuação em revistas e periódicos de maior circulação no Rio de Janeiro. No Diário de Notícias, onde esteve à frente da “Página de Educação”, Cecília Meireles escreveu, divulgou, criticou, debateu e apontou os rumos da educação. Cecília conheceu as propostas dos renovadores, assinou o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, organizou e dirigiu a Biblioteca Infantil do Pavilhão Mourisco mas, mais que isso participou ativamente das discussões em torno da Escola Nova. Também manteve intensa correspondência pessoal com intelectuais ligados à cultura e à educação como Fernando de Azevedo, Gabriela Mistral, Alfonso Reyes, Gerardo Seguel, Fernanda de Castro, Afonso Duarte, José Osório de Oliveira, João de Castro Osório, Armando Cortes-Rodrigues, Dulce Lupi de Castro Osório, Diogo de Macedo, entre tantos outros, com quem dialogava sobre arte, poesia, folclore, política e educação. Vale ressaltar que o estudo da epistolografia de Cecília Meireles não é tarefa das mais fáceis ao pesquisador, em parte por se encontrar dispersa e mesmo desconhecida aos interessados, uma vez que a mesma correspondia-se com muitos intelectuais e de forma bastante intensa. Em virtude do profundo conhecimento das questões educacionais, da experiência pioneira que vinha sendo realizada no Distrito Federal e das boas relações que possuía em quase todos os países do continente, Cecília Meireles foi convidada pela poeta Fernanda de Castro, esposa do Ministro da Propaganda, Antônio Ferro, para uma série de conferências que realizou em Portugal, em 1934. Nelas não tratou apenas de literatura, mas também de política, arte e pedagogia. Nesse momento parecia haver um grande interesse dos intelectuais e educadores dos dois lados do Atlântico em permutarem impressões e experiências. Literatos e educadores portugueses e brasileiros pareciam ter uma necessidade de entrever, nesse período, algo mais que a simples partilha da língua portuguesa. GOUVÊA
(2001), em Cecília em Portugal, não só nos convence dessa intensa necessidade de aproximação, mas nos mostra através da sua pesquisa que esse intercâmbio realmente aconteceu. Vale salientar que sua pesquisa se ateve muito mais ao campo da literatura o que nos impele a buscar a contrapartida da educação. Qual o interesse dos educadores portugueses em solicitar relatos do que vinha sendo construído no Distrito Federal? De que forma Cecília Meireles contribuiu para a efetivação desses objetivos? Esse trabalho tem como objetivo buscar, na correspondência de Cecília Meireles com intelectuais portugueses e brasileiros, subsídios para analisar e discutir a viagem que empreendeu a Portugal, pontuar a sua inserção no âmbito dessa intelectualidade, além de procurar entender os bastidores das conferências que ora proferiu: como foram programadas, quem patrocinou, que questões foram debatidas, quem participou das mesmas e como os intelectuais portugueses receberam os relatos da experiência brasileira. Foram utilizadas como fontes documentais a correspondência de Cecília Meireles nos anos de 1934 e 1935, entrecruzadas com suas crônicas de viagem, com textos de autores do pensamento pedagógico português e brasileiro, bem como outros documentos bibliográficos (livros, periódicos, dissertações e teses) e jornalísticos que têm ligação estreita com o tema estudado. Pode-se indicar como resultados preliminares desse estudo o entendimento da presença das idéias dos escolanovistas brasileiros em Portugal, de uma articulação entre o
pensamento educacional brasileiro e português e como essa permuta de idéias proporcionou a circulação bibliográfica entre os dois países.
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